Categorias
Reequilíbrio Econômico

Como o conflito entre a Rússia e a Ucrânia impacta os contratos públicos de fertilizantes?

O conflito entre Rússia e Ucrânia vem de longa data, mas no final do mês de fevereiro o mundo passou a acompanhá-lo em tempo real quando a guerra, de fato, foi declarada.

O conflito entre Rússia e Ucrânia vem de longa data, mas no final do mês de fevereiro o mundo passou a acompanhá-lo em tempo real quando a guerra, de fato, foi declarada. Mesmo sendo um conflito isolado, as desavenças entre essas duas nações causam impacto em diversos segmentos da economia mundial, sobretudo porque ambos ocupam posição de destaque em setores fundamentais para o bom funcionamento do mercado global.

Com a intensificação dos ataques das tropas Russas às regiões da Ucrânia e as recorrentes sanções impostas ao país, aumentam-se também os impactos à economia ao redor do mundo. No artigo de hoje veremos como o conflito entre a Rússia e a Ucrânia impacta os contratos públicos de fertilizantes.

Qual o impacto do conflito em escala mundial?

Primeiramente é preciso lembrar que Rússia e Ucrânia tem forte participação nos setores de energia e alimentos em escala mundial. Juntas, elas correspondem por 29% das exportações de trigo e 19% de milho, conforme levantamento do Banco JP Morgan.

A Rússia também é protagonista quando o assunto é energia, o país é o 3º maior produtor de petróleo do mundo, perde apenas para os Estados Unidos e Arábia Saudita.

Diversos países possuem uma relação de dependência da Rússia neste setor, que só na Europa corresponde a 40% do gás natural exportado, sendo 20% só na Alemanha.

No entanto, com o andamento da guerra e as sanções impostas ao país de Vladimir Putin, muitos países estão diminuindo drasticamente as importações de petróleo, gás e carvão da Rússia. Vale lembrar que enquanto recursos fundamentais para a geração de eletricidade, funcionamento de indústria e abastecimento de veículos, o baixo nível desses recursos reflete diretamente no preço ao consumidor final.

Com as restrições de abastecimento de gás natural e petróleo oriundas dessa região, é natural que os preços destes insumos apresentem alta, e que os processos a eles relacionados também tenham reajuste em seus valores e sejam repassados em toda a cadeia produtiva até chegar no consumidor final. 

Basta pensar que a baixa oferta de petróleo encarece o preço dos combustíveis, o que pesa no bolso na hora de abastecer veículos condutores, como as cargas do setor de transporte de alimentos, tornando o reajuste desses produtos inevitável.

Agora que você já entendeu como os conflitos no leste europeu impactam o mercado mundial, vamos compreender como o preço dos fertilizantes é influenciado pelo conflito entre Rússia e Ucrânia.

A crise de fertilizantes no Brasil

Os conflitos na Rússia também impactam os contratos públicos de fertilizantes no Brasil. Isso porque segundo os dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos, mais de 85% dos fertilizantes utilizados no Brasil são fruto de importação e 25% têm origem no território russo, o que evidencia a relação de dependência que o país possui com outras nações.

Embora o país de Putin não tenha suspendido o fornecimento deste insumo ao Brasil, sua condução e pagamento enfrentam dificuldades, sobretudo porque os bancos russos foram expulsos do Swift, o sistema de finanças utilizado em escala mundial.

Em função disso, a Rússia vem realizando reajuste nos preços que impactam diretamente em nossa economia. Para se ter uma ideia, em março de 2022 importamos 685 mil toneladas de fertilizantes da Rússia no valor de US$455 milhões. No mesmo período do ano passado adquirimos 603 mil toneladas por apenas US$154,3 milhões.

Nesse sentido, o governo iniciou em 2021 a elaboração do Plano Nacional de Fertilizantes com o objetivo de diminuir o déficit e a dependência do Brasil no setor nos próximos 28 anos e aumentar a produção nacional. A medida foi formalizada por meio do Decreto 10.991 assinado em março de 2022.

Nações ao redor do mundo têm buscado alternativas para minimizar a dependência da Rússia. Os Estados Unidos anunciaram recentemente uma proibição completa de importações de petróleo russas. No Reino Unido o plano é acabar de forma gradual com essa dependência da Rússia com relação ao petróleo e o fornecimento de gás natural.

Por Murilo Barbosa

Murilo Barbosa
Engenheiro - MBA Gestão de Empresas - Construção Civil
Ajudando empresas a serem competitivas para gerar mais lucro
www.bidgerenciamento.com.br
www.bepvalor.com.
www.projetoengenheiro.com.br
São Paulo, São Paulo, Brasil